Cirurgia de Hérnia de Disco em Fortaleza: quando operar?
Cirurgia de hérnia de disco em Fortaleza: saiba quando operar, sinais de alerta, microdiscectomia, endoscopia e como avaliar a ressonância.
COLUNA VERTEBRAL
Dr. Gilnard Caminha Aguiar
10/15/20237 min ler


Quando a hérnia de disco pode precisar de cirurgia?
A presença de uma hérnia na ressonância magnética não significa, por si só, que seja necessário operar. A decisão deve considerar a relação entre os sintomas, o exame neurológico, a limitação funcional, a resposta ao tratamento clínico e o local da compressão demonstrado nas imagens.
Em Fortaleza, o Dr. Gilnard Caminha avalia pacientes com dor ciática persistente, formigamento, perda de sensibilidade, fraqueza muscular, pé caído ou dúvida sobre uma indicação cirúrgica. O objetivo da consulta é identificar a causa dos sintomas e discutir, de maneira individualizada, quando o tratamento conservador é suficiente e quando uma descompressão cirúrgica pode oferecer benefício.
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O que é a hérnia de disco lombar?
Os discos intervertebrais funcionam como estruturas de amortecimento entre as vértebras. A hérnia ocorre quando parte do material do disco se desloca e pode provocar inflamação ou compressão de uma raiz nervosa. Quando isso acontece na região lombar, a dor pode irradiar para o glúteo, a coxa, a panturrilha ou o pé — quadro conhecido como dor ciática.
O tamanho descrito no laudo não determina sozinho a gravidade. Algumas hérnias volumosas causam poucos sintomas, enquanto compressões menores, localizadas exatamente sobre uma raiz nervosa, podem produzir dor intensa ou déficit neurológico. Por isso, o exame clínico e a correspondência com a ressonância são fundamentais.
Sinais de compressão nervosa
Dor que sai da lombar ou do glúteo e percorre a perna.
Formigamento ou dormência na perna ou no pé.
Diminuição da força para elevar o pé, ficar na ponta dos pés ou caminhar.
Dificuldade funcional para sentar, permanecer em pé, dormir ou trabalhar.
Persistência dos sintomas apesar de tratamento clínico adequadamente conduzido.
Sinais de alerta que exigem atendimento imediato
Perda recente do controle da urina ou das fezes, diminuição da sensibilidade na região genital ou perineal — chamada anestesia em sela — e fraqueza rapidamente progressiva podem indicar compressão grave das raízes nervosas. Esses sintomas exigem avaliação médica de urgência e não devem aguardar uma consulta eletiva.
A ressonância sozinha indica cirurgia?
Não. Alterações discais são frequentes em pessoas que não apresentam sintomas. A ressonância deve ser interpretada junto com a história clínica e o exame neurológico. A cirurgia tende a ser considerada quando existe concordância entre a raiz comprimida, o trajeto da dor, a alteração de sensibilidade ou força e a limitação do paciente.
A tomografia pode ser útil em situações específicas, especialmente para avaliar estruturas ósseas ou calcificações. A eletroneuromiografia é reservada para casos selecionados, quando há dúvida diagnóstica ou necessidade de diferenciar outras causas de comprometimento nervoso.
Quando a cirurgia pode ser indicada?
De acordo com recomendações internacionais, a decisão é individual. Entre as situações que podem justificar uma avaliação cirúrgica estão:
Dor ciática persistente e incapacitante, com compressão correspondente na imagem, após tratamento conservador adequado.
Fraqueza muscular importante ou com progressão documentada.
Limitação funcional relevante, com perda de autonomia ou incapacidade para as atividades habituais.
Síndrome da cauda equina, que constitui uma emergência.
O tempo de tratamento antes de uma cirurgia não é idêntico para todos. A presença de déficit motor, a intensidade da limitação, a evolução dos sintomas e as condições clínicas do paciente modificam a urgência e a estratégia.
Tratamento sem cirurgia
Na ausência de sinais de urgência ou déficit neurológico progressivo, muitos pacientes podem iniciar tratamento conservador. Ele pode incluir orientação para manter atividades dentro do tolerável, medicamentos prescritos de acordo com o perfil clínico, fisioterapia e reabilitação funcional. Em situações selecionadas, uma infiltração na coluna pode ser discutida como parte do controle da dor.
A resposta deve ser acompanhada pela melhora da dor, da força, da mobilidade e da capacidade de realizar atividades — não apenas por um prazo fixo. Se os sintomas persistirem ou piorarem, uma nova avaliação ajuda a decidir o próximo passo.
Microdiscectomia ou cirurgia endoscópica?
O objetivo das duas técnicas é descomprimir a raiz nervosa e remover o fragmento de disco responsável pelos sintomas, preservando o máximo possível das estruturas normais.
Microdiscectomia: utiliza ampliação por microscópio e é uma técnica consolidada para diferentes padrões de hérnia.
Discectomia endoscópica: utiliza uma câmera e instrumentos introduzidos por um acesso menor. Pode ser realizada por diferentes vias, como transforaminal ou interlaminar, conforme a anatomia e a posição da hérnia.
Ensaios clínicos mostram que ambas podem proporcionar melhora da dor e da função quando corretamente indicadas. Não existe uma técnica universalmente superior para todos os pacientes. A escolha considera o nível da hérnia, a localização e migração do fragmento, cirurgias anteriores, características anatômicas e experiência do cirurgião. Saiba mais na página sobre cirurgia endoscópica da coluna.
Artrodese é necessária?
Na hérnia de disco lombar isolada, a colocação de parafusos e hastes não costuma fazer parte da cirurgia de rotina. A artrodese pode ser considerada em casos selecionados, como instabilidade comprovada, deformidade, doença degenerativa associada ou determinadas situações de recorrência. Essa decisão deve ser explicada com base nos achados de cada paciente.
Recuperação após a cirurgia
O tempo de recuperação varia conforme a técnica utilizada, a duração da compressão nervosa, a presença de fraqueza, as condições gerais de saúde e as exigências físicas do trabalho. Caminhada, retorno às atividades, fisioterapia e exercícios devem ser orientados individualmente. Prometer um prazo igual para todos não seria adequado.
A dor irradiada frequentemente melhora antes das alterações de sensibilidade. Quando o nervo permaneceu comprimido por muito tempo, dormência ou perda de força podem levar mais tempo para se recuperar e, em alguns casos, não desaparecer completamente.
Riscos e expectativas realistas
Toda cirurgia envolve riscos. Entre os possíveis eventos estão infecção, sangramento, lesão da dura-máter com vazamento de líquido, lesão neurológica, persistência dos sintomas, recorrência da hérnia e necessidade de nova intervenção. A frequência e a relevância de cada risco dependem do caso e da técnica proposta.
A indicação deve ser feita quando o benefício esperado supera os riscos. A consulta permite revisar as imagens, esclarecer alternativas e alinhar expectativas sem prometer resultados.
Sobre o Dr. Gilnard Caminha Aguiar
Dr. Gilnard Caminha Aguiar é neurocirurgião em Fortaleza, CRM-CE 10613 e RQE 6942. É graduado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará, realizou Residência Médica em Neurocirurgia no Instituto Dr. José Frota e possui capacitação em cirurgia endoscópica da coluna. Sua atuação inclui avaliação de doenças da coluna vertebral, com indicação de tratamento baseada na correlação entre sintomas, exame neurológico e exames de imagem.
Perguntas frequentes sobre hérnia de disco
1. Toda hérnia de disco precisa ser operada?
Não. Muitos pacientes melhoram com tratamento conservador. A cirurgia é avaliada quando há dor incapacitante persistente, déficit neurológico, falha do tratamento adequado ou sinais de emergência.
2. A hérnia de disco lombar pode melhorar sem cirurgia?
Sim. O organismo pode reduzir a inflamação e, em alguns casos, reabsorver parcialmente o material herniado. A evolução deve ser acompanhada clinicamente, especialmente quando existe alteração de força ou sensibilidade.
3. Quando devo procurar um neurocirurgião em Fortaleza?
Procure avaliação quando a dor irradiada persiste, limita as atividades, acompanha-se de dormência ou fraqueza, ou quando a ressonância mostra compressão e há dúvida sobre cirurgia. Perda urinária ou fecal, anestesia em sela e fraqueza rapidamente progressiva exigem atendimento de urgência.
4. Uma ressonância com achado grave significa que preciso operar?
Não necessariamente. A decisão depende da correspondência entre a imagem, os sintomas e o exame neurológico. O tratamento é direcionado ao paciente, não apenas ao laudo.
5. Qual é a diferença entre as vias transforaminal e interlaminar na endoscopia?
São caminhos diferentes para chegar ao fragmento herniado. A escolha depende do nível, da localização e da migração da hérnia, além da anatomia individual. Não é correto definir uma delas como melhor sem avaliar o caso.
6. A cirurgia endoscópica é melhor que a microdiscectomia?
As duas técnicas podem ser eficazes quando bem indicadas. A endoscopia oferece um acesso menor em casos selecionados, enquanto a microdiscectomia continua sendo uma técnica consolidada. A anatomia e o padrão da hérnia orientam a escolha.
7. A cirurgia endoscópica tem riscos?
Sim. Apesar de ser minimamente invasiva, continua sendo uma cirurgia e pode apresentar complicações como infecção, lesão dural, lesão nervosa, persistência dos sintomas ou recorrência. Os riscos individuais devem ser discutidos em consulta.
8. A artrodese com parafusos é necessária?
Geralmente não na hérnia isolada. Ela é reservada para situações específicas, como instabilidade, deformidade ou doença associada que justifique a fixação.
9. Quanto tempo leva a recuperação?
A recuperação é individual. Ela varia conforme o procedimento, a condição do nervo, o tipo de trabalho, a reabilitação e a saúde geral. O planejamento de retorno deve ser definido após avaliação.
10. Posso voltar a praticar esportes?
Na maioria dos casos, o retorno é possível de forma progressiva, após controle dos sintomas, recuperação funcional e liberação médica. O prazo e o tipo de exercício dependem do tratamento realizado.
11. A hérnia pode voltar depois da cirurgia?
Sim. Existe risco de recorrência no mesmo nível ou de surgimento de alterações em outros níveis. O acompanhamento, o fortalecimento e o controle de fatores de risco fazem parte dos cuidados após o tratamento.
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Referências científicas
WFNS Spine Committee. Recomendações para tratamento da hérnia de disco lombar, 2024.
North American Spine Society. Clinical Guideline for Lumbar Disc Herniation with Radiculopathy.
Meyer et al. Comparação entre discectomia endoscópica e microdiscectomia, 2020.
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